A classificação das funções psicomotoras se divergem entre os autores, que se utilizam de várias terminologias para um sentido único. Le Bolch (1983), por exemplo cita as seguintes funções: Estruturação do Esquema Corporal, Coordenação Dinâmica Geral, Motricidade Gráfica, Lateralidade, Relação Corpo-tempo e Percepção Temporal, e Tônus Muscular.

FONSECA (1983, p. 13), divide as funções da seguinte maneira: Noção do Corpo ou Somatognosia, Equilibração, Coordenação Dinâmico-manual, Lateralidade, Controle de Respiração, Estruturação Espaço Temporal, Ritmo, Dissociação e Tonicidade.

Psicomotricidade relacional

O educador francês André Lapierre criou a teoria da Psicomotricidade Relacional na década de 70, com a finalidade de prevenir e atuar terapeuticamente, para que as crianças e adolescentes, adultos possam expressar seus conflitos relacionais, e poder superá-los de forma lúdica, ou seja através do brincar, do “faz de conta”.

A premissa básica da Psicomotricidade Relacional é poder atuar sobre os fatores psico-afetivos relacionais que foram adquiridos no período da infância. Sendo que Lapierre considera esses fatores diretamente relacionados a dificuldades de adaptação dos indivíduos no cotidiano e no meio onde está inserido.. Esta prática educativa possibilita facilitar o desenvolvimento global do SER.

A essência da metodologia concentra-se no fato de que a criança, por meio do lúdico consegue revelar de forma espontânea e natural, o que se passa no seu mundo interior, sem necessidade de expressar verbalmente. O autor considera o brincar uma terapia, e brincando elas estruturam o seu psiquismo.

Todo o comportamento agressivo da criança na escola ou agitação, TDAH, falta de limites, frustrações, raiva, auto-estima baixa repercutem e comprometem o seu aprendizado.

A teoria da Psicomotricidade Relacional vai, propiciar com sua metodologia estímulos positivos para o ajuste dos distúrbios comportamentais, emocionais, sociais, incentivando um aprendizado saudável e equilibrado, e dessa forma, despertando no aluno o desejo de aprender, e consequentemente, poder melhorar a produtividade da criança, e levá-las a superação de seus medos, também, prevenindo as dificuldades de expressão psico-motora, elevando de forma significativa a auto-estima, superação de limites, aceitação de frustrações, e tendo como resultado, um desejo de aprender, buscando explorar todas as suas potencialidades e pontos fortes.

Aula de psicomotricidade

Exercícios de Conhecimento Corporal:

Exercitar tensão e relaxamento no corpo (amolecer, murchar, derreter, endurecer etc.) a partir de solicitação do educador. “Finja que você é um boneco feito de sorvete. Algumas crianças fizeram você e agora o deixaram aí parado, sozinho. Você tem cabeça, corpo, dois braços esticados e pernas duras. A manhã está linda , o sol está brilhando . Logo o sol fica tão quente que você sente que está derretendo. Primeiro é sua cabeça que amolece, depois um braço, depois o outro. Devagar, seu corpo começa a derreter todinho. Agora você é uma poça de água no chão. Ou então: “Vamos fingir que somos velas de bolo. Cada um pode escolher de que cor quer ser. No começo estamos de pé, duras , esticadinhas, altas. Parecemos postes. Nossos corpos estão duros como as velas. Agora alguém acendeu as velas e elas estão brilhando. As velas começaram a derreter. Primeiro a cabeça… depois os ombros… depois os braços… a cera vai derretendo lentamente. As pernas derretem… devagar… devagar… até que estamos todas derretidas. Cada um de nós virou uma pasta mole por cima do bolo”.(LAPIERRE, 2001, P. 130)

Indicação de Livros:

FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade. São Paulo: Martins Fontes, 1983.

LAPIERRE, A. A Reeducação Física – Reeducação Psicomotora. SP: Editora Manole, 2001.

LE BOULCH, Jean. Rumo a uma ciência do movimento humano. Porto Alegre, Artes Medicas, v.1, 1987

Homenagem André Lapierre:

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