NO BRASIL

A população brasileira tem suas raízes ligadas a questão agrária, embora, a educação do campo não foi sequer mencionado em constituições até 1891, isso, evidenciando de forma nítida o descaso dos dirigentes e responsáveis nesse contexto com a educação. Estavam preocupados com aspectos culturais que estavam centrados no trabalho escravo, como também na concentração fundiária, no controle do poder político pela oligarquia e vinculado aos modelos de cultura letrada embasada na Europa.

Esse panorama social acabou condicionando todo o percurso da história da educação escolar brasileira, deixando uma herança ligada a um quadro de precariedade em toda a estrutura escolar do campo em relação aos aspectos humanos essenciais e disponíveis para o trabalho pedagógico, como também a infra-estrutura em relação aos espaços físicos totalmente inadequados, mal distribuição geográfica das escolas, salários dos professores defasados, ausência de formação inicial e continuada dos educadores, e principalmente uma didática descontextualizada da vida dos povos campistas.

No cenário do campo, há uma presença articulada de diversos movimentos sociais, que acabam atuando de forma a propor mudanças dentro dessa conjuntura. É forte e presente uma dinâmica social, que envolve diversos atores nesse universo. São regiões simbólicas permeadas e englobadas pela diversidade cultural, étnica racial tão presente no Brasil, como também pela multiplicidade de geração que buscam recriar os saberes, de buscar conhecimentos sistematizados que são organizados com lógicas diferenciadas, de lutas, de mobilização social, e de estratégias que devem promover a sustentabilidade.

MEC

No Brasil, a partir da década de 1950, iniciou uma consolidação de discursos políticos onde era enfatizado a “união” entre o urbano e o rural, por acreditarem que o desenvolvimento industrial, em expansão no país, faria desaparecer dentro de algumas décadas a sociedade rural, ou seja, com essa visão, ficava claro que o cenário do campo é uma divisão sócio cultural que deveria ser superada, e não mantida.

E somente nos anos de 1990, esse cenário do campo, precisaria ser superado, e começar a mudar, e nesse contexto, os movimentos socais e sindicais, começam a se organizar, e consequentemente, também pressionar de forma articulada e organizada pela construção de políticas públicas voltadas para a população do campo, com isso, garantindo o ensino com mais qualidade.

Um importante aceno já dado pela LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional número 9394 de 1996 e fortalecida com outra importante conquista recente para o conjunto das organizações de trabalhadores e trabalhadoras do campo, no âmbito da luta por políticas públicas foi a aprovação das “Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo de 2001 – pelo Conselho Nacional de Educação” (Parecer no 36/2001 e Resolução 1/2002 do Conselho Nacional de Educação).

DESAFIOS NO CAMPO

Salienta-se que os problemas da educação não estejam centrados apenas no âmbito rural, embora, neste cenário é mais agravante, pois além de não considerar e respeitar a realidade sócio-ambiental desse povo, como também da estrutura educacional, a maioria das vezes, também é tratada pelo poder público, como resíduo dos programas educacionais emergenciais, dessa forma, negando ao homem do campo, o seu espaço de vida, com seus costumes e características específicas.

Portanto, o modelo de desenvolvimento implementado no cenário campista brasileiro foi tão marginalizado, excludente e esquecido em sua evolução, que marca até o contexto atual o modelo de educação adotado durante esses anos.

Em suma, é desafiante para educadores atuarem nesse contexto, são necessárias que sejam revistas e priorizadas políticas publicadas que se interessem por esse aluno, busque a inserção dele no seu ambiente social, vendo as suas necessidades, particularidades e procurem resgatar todo esse passado excludente, e que hoje, os vejam como cidadãos que tem os mesmos direitos como os demais alunos de qualquer parte do Brasil.

SOLUÇÃO

A solução para o aluno do campo, deve ser centrada na construção de uma política de educação do campo embasada na diversidade dos povos rurais brasileiros, lembrando que deve ser uma preocupação constante do Ministério da Educação, reavaliar as suas políticas nessa área Destaca-se que os movimentos sociais e sindicais campistas, vem se dedicando gradativamente em relação ao direito dos povos do campo à educação.

A importância e vitalidade dos movimentos sociais nesse cenário, não deixa dúvidas de que o atendimento e necessidade educacional dos povos do campo não poderá ser feita pela mera transposição de modelos instituídos ou embasados a partir da dinâmica social e espacial urbana, e sim, voltadas para as necessidades do aluno nessa conjuntura.

Os políticos e educadores dessa área, devem sempre procurar analisar e respeitar a diversidade de ambientes físicos e sociais de que se constitui o universo rural brasileiro, fica claro, que isso, acaba impondo importantes desafios a educação brasileira, que vão desde o reconhecimento de formas alternativas de organização como também de tempos e espaços escolares, priorizando estratégias individualizadas específicas de formação de profissionais capacitados e de elaboração de material de acordo com a necessidade local, regional e espacial campista.

REFERÊNCIAS

ABRAÃO, José Carlos. O Educador a caminho da roça: notas introdutórias para uma conceituação da educação rural. Mato Grosso Sul, 1989.

Brasil. Conselho Nacional de Educação\ Câmara de Educação Básica. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Resolução nº 1 de 03 de abril de 2002. Brasil. Congresso Nacional. LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 9394\96.

CARNEIRO, Maria José. Juventude Rural: projeto e valores, 2005.

MEC. CADERNO DE SUBSÍDIOS: Referências para uma política nacional de Educação do Campo, 2ª ed. Brasília, 2005.

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